
2 de Fevereiro – Dia Mundial das zonas húmidas.
Turismo nas zonas húmidas: uma grande experiência.
Hoje é o dia Mundial das zonas húmidas1 e este ano é celebrado sob o lema Zonas húmidas e o Turismo.
Com a sua biodiversidade e beleza natural, as zonas húmidas são locais ideais para a prática do turismo. Daí que garantir uma boa gestão dessas áreas e educar os turistas sobre o seu valor contribui para os benefícios a longo prazo que proporcionam às pessoas, economia e biodiversidade. Vale a pena notar que o turismo é apenas um dos serviços que as zonas húmidas fornecem e, portanto garantir a sua sustentabilidade contribui para a conservação destas áreas para que outros serviços, como por exemplo, abastecimento de água (quantidade e qualidade), pesca, agricultura (manutenção de lençóis freáticos e a retenção de nutrientes), biodiversidade, etc, possam ser assegurados.
Um turismo bem gerido pode trazer benefícios significativos, tanto económico como ambiental. As zonas húmidas podem beneficiar-se directamente quando a receita (entrada, taxas, produtos locais, etc) é usada directamente em medidas de conservação. No entanto, o crescimento rápido e contínuo do turismo coloca uma enorme pressão sobre estes espaços, pois os ecossistemas das zonas húmidas são muitas vezes frágeis, e sem controlos adequados há sempre um risco de que o turismo pode ter efeitos negativos nestes habitats, nos animais e nas plantas, bem como sobre as comunidades locais que podem depender destas áreas para a subsistência. O turismo descontrolado tem causado danos nos ?? recifes de coral através de barcos de mergulho mal ancorados ou operadores de mergulho e mergulhadores mal treinados;
efeitos das visitas descontroladas em habitats sensíveis; excessiva perturbação das populações de aves nidificantes, e assim por diante.
Em Cabo Verde, a maioria das zonas húmidas, de acordo com as tipologias descritas pela Convenção de Ramsar, abrange extensões de águas salgadas e costeiras. No entanto, são relevantes tanto pela ocorrência de espécies vegetais halófitas, como pela presença e reprodução de aves aquáticas e tartarugas marinhas. A maioria das zonas húmidas identificadas no país encontra-se na ilha da Boavista (Lagoa de Rabil, Lagoas da praia da Varandinha, zona húmida de Curral Velho, Lagoa de Porto Ferreira, Lagoa de Cabeça Salina, Lagoa de João Barrosa, Lagoa de Boca Ribeira), e algumas em outras ilhas, nomeadamente, nas ilhas do Maio (Terras Salgadas, Salinas de Porto Inglês), Sal (Pedra de Lume, Salinas de Santa Maria) e Santiago (Lagoa de Pedra Badejo e recentemente a Barragem de Poilão). De todas elas, apenas três se encontram inscritas na Convenção (zona húmida de Curral Velho, Lagoa de Rabil e Lagoa de Pedra Badejo).

Antigas Salinas
1 De acordo com a Convenção de Ramsar, as zonas húmidas são: “extensões de marismas, pântanos e turfas, ou superfícies cobertas de água, sejam estas de regime natural ou artificial, permanentes ou temporárias, estagnadas ou corrente, doces, salobras ou salgadas, incluindo as extensões de água marinha cuja profundidade em maré baixa não exceda os seis metros”.