


Cidade de Nova Sintra, 06 Abr (Inforpress) – Trabalhar terrenos dos emigrantes sem contratos de arrendamento é neste momento um dos maiores problemas que se coloca à agricultura na ilha da Brava, de acordo com o delegado do Ministério do Desenvolvimento Rural (MDR), Lenine Carvalho. Segundo Lenine Carvalho, tem acontecido que emigrantes ou mesmo pessoas que vivem na ilha, facultam os seus terrenos a terceiros, normalmente improdutivos, mas, a partir do momento que comecem a ser rentáveis com o trabalho introduzido pelos agricultores, os proprietários aparecem exigindo de volta as terras, deixando a nu os trabalhadores.
“Muitas vezes esses agricultores são contemplados com a nossa ajuda na implementação do sistema gota a gota e com reservatórios, depois chegam os donos das propriedades e, ao constatarem que os terrenos estão a dar frutos, voltam a apossar dos terrenos”, frisou Lenine Carvalho.
O delegado do MDR, disse ainda, que devido a estas situações tem vindo a sensibilizar os agricultores de forma a aceitarem trabalhar um terreno apenas se for previamente assinado um contrato com o dono a estipular algumas condições.
Henrique Gonçalves é um desses agricultores que diz ter perdido todo o seu trabalho por duas vezes, já que, depois de investir muito dinheiro e tempo na reparação dos terrenos para cultivar, os seus respectivos donos exigiram os mesmos de volta.
“Entregaram-me dois terrenos para trabalhar e ambos os proprietários, quando viram os terrenos a dar fruto, retiraram-mas da minha mão, deixando-me com os prejuízos”, disse esse agricultor, apontando que um deles passou a exigir 3mil escudos/mês por um terreno, quando os terrenos eram alugados anteriormente por 300 escudos ano.
Para esse agricultor, neste momento trabalhar os terrenos dos outros mesmo com contrato, não vale a pena, porque, conforme disse, se fizer um contrato de dois anos num terreno, este tempo apenas serve para o recuperar e quando chegar a hora de “colher o que plantou” quem vai sair beneficiado é o proprietário e o agricultor fica com o prejuízo.
José Pires, outro agricultor da ilha, afirmou à Inforpress que esse tipo de situação é recorrente na ilha Brava, “porque quando os campos estão bravos, ninguém os dá importância e assim que são tratados, todo o mundo os quer de volta”, frisou.
De acordo com José Pires, essa situação faz com que muitos terrenos pertencentes a pessoas que vivem fora da ilha fiquem por cultivar, prejudicando enormemente o desenvolvimento da agricultura na Brava.
Fonte: Inforpress