Recursos Hídricos


Até 2002, os dados agro-climatológicos e hidrológicos eram recolhidos, tratados e difundidos pelo Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (INIDA). A partir dessa data essa missão foi confiada ao Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) e ao Instituto Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (INGRH), respectivamente.

O INMG mantém dezassete estações agro-climatológicos, todas equipadas com aparelhos e instrumentos clássicos: pluviógrafos, termógrafos, termómetros molhado/seco, evaporímetros e heliógrafos). O INMG iniciou já um programa de instalação de estações automáticas em algumas ilhas.

A rede de controlo pluviométrico consiste de 282 postos pluviométricos. Uma percentagem elevada desses pluviómetros (mais de 50%) funciona de forma deficiente, seja devido a actos de vandalismo seja devido à insuficiente manutenção.

Reconhecendo-se a carência de informações sobre a hidrologia superficial, foi instalada, a partir de 1978, uma rede hidrológica com catorze estações: 10 em Santiago, 2 em São Nicolau e 2 em Santo Antão. Existem estações do tipo “Flume”, estações com secções rectangulares e canalização de água a montante, barragens e diques de captação e estações com secções de pedra seca ou cimentadas equipadas de limnímetros.

As informações referentes aos furos, nascentes, poços e galerias são recolhidas e armazenadas pelo INGRH num banco de dados informatizado.

As reservas hídricas subterrâneas em Cabo Verde não são suficientemente conhecidas. Existe um número reduzido de piezómetros e não existe um sistema de monitorização contínuo da rede de controlo piezométrico e salínico.

As chuvas em Cabo Verde são, essencialmente, resultantes da passagem anual da Frente Intertropical que provoca uma estação húmida de Julho a Outubro. As precipitações são concentradas durante os meses de Agosto e Setembro, período durante o qual cai, em média, entre 60% e 80% da quantidade anual de chuvas.

As precipitações variam muito de um ano para outro, do ponto de vista tanto da sua distribuição no tempo e no espaço como da sua quantidade anual global. As precipitações caem, frequentemente, sob a forma de fortes chuvadas e, não é raro em determinadas localidades, que a precipitação total anual seja produzida em duas ou três chuvadas isoladas. Isso é válido tanto para as ilhas altas (590 mm no Fogo - Monte Velha) como para as ilhas planas (350 mm na Vila do Maio). Os valores apontados para as ilhas montanhosas devem ser encarados com alguma precaução, tendo em conta o aumento significativo da chuva com a altitude e a diferença marcante entre as vertentes expostas aos ventos alísios de direcção Nordeste, que são bem chuvosas, e as vertentes expostas a barlavento, que são muito mais secas.

A principal característica do arquipélago, é a extrema irregularidade das precipitações. Até hoje os anos de 1972/73 e 1983/84 foram os mais severos do ponto de vista pluviométrico.

É certo que o país esteve sempre sujeito a secas cíclicas. No entanto, os efeitos resultantes das secas dos últimos anos foram sentidos de forma particular tendo em conta a forte pressão demográfica sobre os escassos recursos naturais. A situação torna-se cada vez mais preocupante, tendo em conta que, a partir dos anos sessenta, registou-se um declínio significativo da precipitação anual. A sucessão de longos períodos secos, alternados com breves períodos mais húmidos, é uma característica do clima cabo-verdiano.

Considerando os valores médios anuais da pluviometria como um índice de classificação climática, a cada uma das ilhas corresponderiam os seguintes tipos de clima:
- Sal e Boa Vista: extremamente árido (P<100 mm)
- São Vicente, São Nicolau e Maio: árido (100 < P < 200)
- Santo Antão, Fogo, Santiago, Brava: semiárido (200< P<500)