Fundação Maio Biodiversidade regista mais de 1000 ninhos de tartarugas em apenas 1 mês de campanha

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Porto Inglês, 04 Ago (Inforpress) - Após transcorrido ainda apenas um mês de campanha de protecção, a Fundação Maio Biodiversidade (FMB) registou até o momento mais de 1000 ninhos das tartarugas marinhas, disse à Inforpress o coordenador da patrulha Leno dos Passos.

Segundo este responsável, o registo efectuado até este momento confere já um número superior ao de toda a época da desova dos anos de 2014 e 2015.

"Para a nossa surpresa este ano estamos a ter muita procura de tartarugas às nossas praias para a desova, em apenas um mês já registamos mais de 1000 ninhos”, frisou, deixando transparecer, em contrapartida, a sua insatisfação face o número de apanha de tartarugas verificadas até o momento, e que ronda os 25 em várias praias da ilha.

Leno dos Passos disse que esta situação lhes deixa bastante incomodados, porquanto, desde 2013 não registavam um número assim tão elevado de mortandade de tartarugas praticada por pessoas residentes.

"A época da desova está a superar a nossa expectativa, mas o que mais nos tem chocado são os casos de apanha nas localidades de Morro, onde há 3 anos não registávamos nenhum caso e este ano até o momento já foram apanhadas 2 tartarugas, acontecendo a mesma situação na vila de Barreiro e Ribeira Dom João”, explicou.

Segundo o representante da FMB, os jovens têm vindo a manifestar uma certa revolta, desobedecendo as regras de protecção de tartarugas, pelo que têm procurado dialogar com os mesmos para saber a razão desta mudança de comportamento.

Leno dos Passo disse ainda que estão a perspectivar um pico até o dia 15 do corrente mês, razão por que irão precisar de mais voluntários nesta missão.

A esse propósito, aproveitou para exortar as empresas nacionais e as demais sediadas no país a colaborarem com a FMB nesta campanha, visto que o efectivo de guardas e voluntários nacionais e internacionais se tem demonstrado insuficiente para dar combate a esta pratica que consideram ser negativa para ilha.

Referente aos voluntários internacionais indicou que até o momento já contam com a participação de 12, embora acreditem que até o término da campanha venham a receber muito mais, tendo em conta que já receberam um número significativo de manifestação de interesse.

Explicou que a participação de voluntários internacionais é sempre “bem-vinda” porque que "eles também trazem algum recurso financeiro para ilha assim como para o nosso projecto", enfatizou.

Uma vez mais voltou a apelar o Governo no sentido de rever o quanto antes a lei que criminaliza a apanha e consumo da carne de tartarugas marinhas, visto que em muitos casos se constata que só a sensibilização se tem revelado ser insuficiente para pôr cobro a esta prática.

Destacou, no entanto, o facto de na campanha deste ano estarem a contar com a colaboração das associações comunitárias e da Agência Marítima e Portuária na ilha, e mesmo assim, “o número de apanha de tartarugas tem sido preocupante”, assinalou.

Fonte: http://inforpress.publ.cv/ambiente